Twilight, um conto de fadas moderno

sexta-feira 16 janeiro 2009 às 10:57 am | Publicado em Uncategorized | 1 Comentário
Robert Pattinson e Kristen Stewart, o casal protagonista nas telas

Robert Pattinson e Kristen Stewart, o casal protagonista nas telas

Quando descobri, com espanto, no cinema, o alcance do fenômeno Twilight, eu já estava completamente envenenada e dependente. Todo o preconceito que eu achava que deveria guardar em relação aos livros “não-literários” desapareceu frente a minha empolgação.

O romance entre Edward Cullen e Bella Swan é ao mesmo tempo tão humano, com as inseguranças e descobertas do primeiro amor; e tão sobrenatural, com o perigo iminente que representa a natureza violenta de Edward; que me prendeu de forma segura entre esses dois opostos que parecem formar um yin-yang perfeito em uma história de amor.

Some-se a tudo isso os sustos e as sedes da adolescência, e aí está uma receita sob medida para fazer garotas de todo o mundo passarem noites em claro, de livros em punho e sonhos (quase impossíveis) em mente.

Digo garotas porque a série não me parece agradar aos jovens de sexo masculino, e isso não me espanta: o narrador-protagonista é uma moça, e toda a história gira em torno de seus anseios e paixões profundamente femininos.

Assim como a série Harry Potter, de J.K. Rowling, a saga de Stephenie Meyer vai prender-se, até o fim, ao cinema. E eu, como não me excluo do grupo de adolescentes romântico-sonhadoras que precisam de uma fonte rica de fantasia, pretendo acompanhar de perto esse conto de fadas moderno.

P.S.: Devo confessar que, embora a série seja uma delícia, sou uma daquelas que gosta de ir contra a multidão, e é no mínimo chato ver todo mundo no meio da rua com o mesmo livro que eu em mãos. ;P

Sobre a minha segunda leitura de Austen: Razão e Sensibilidade

terça-feira 06 janeiro 2009 às 04:24 am | Publicado em Uncategorized | 1 Comentário
Edward e Elinor, representados na minissérie "Sense and Sensibility", de 2008, da BBC

Edward e Elinor, representados na minissérie "Sense and Sensibility", de 2008, da BBC

Há poucos dias terminei meu segundo romance de Jane Austen: Razão e Sensibilidade. Esperava que o livro me fosse parecer tão bom quanto ou melhor do que “Orgulho e Preconceito”, o que de fato não aconteceu.

Em resumo, o enredo é o seguinte: três irmãs, Elinor, Marianne e Margaret Dashwood, juntamente com a mãe, são obrigadas a mudar-se de sua residência por ocasião da morte do pai das mesmas, já que o meio-irmão delas, John Dashwood, responsável pela herança, é persuadido pela esposa a não cumprir a promessa de ampará-las, feita ao pai. A partir daí, as moças e a senhora vão viver em um chalé em Devonshire, onde as duas irmãs mais velhas, Elinor e Margaret, planejam seu futuro de formas bem distintas.

Essa é exatamente a sacada genial de Austen, em minha opinião, e a justificativa do título do romance. Elinor é a moça comedida, que mede as circunstâncias milimetricamente e não permite que a força de suas paixões domine as suas ações; Marianne é a apaixonada sem censuras ou barreiras, e parece seguir a doutrina de Oscar Wilde de que amar a arte racionalmente é o mesmo que não a amar. Quanto a Margaret, não lembro de três capítulos sequer em que a jovem tenha aparecido, e tudo me indica que serviu apenas para fazer companhia à mãe quando as irmãs resolvem ir a Londres.

Abstraindo o fato de eu não ser ninguém para criticar uma obra de Jane Austen, vamos ao principal defeito que vi na obra: Elinor e Edward apenas se falam umas duas vezes antes do final feliz (a meu ver, extremamente forçado e tardio), e ainda assim, nunca a sós; enquanto o caso entre Marianne e Willoughby teve mil diálogos, cartas não-respondidas e até um presente em forma de cacho de cabelos, embora os dois não tenham tido sucesso. Será que Jane Austen quis mostrar alguma coisa com essa falta de equilíbrio entre os dois casais?

Quando li “Orgulho e Preconceito” pela primeira vez, lembro que me arrepiava a cada conversa entre Elizabeth e Mr. Darcy. O mesmo não pôde ocorrer com “Razão e Sensibilidade”. Todos os diálogos entre Elinor e Edward são absolutamente dissimulados e sem graça. O que se pode esperar de uma racional extremada e um tímido sem remédio?

É óbvio que o fim não poderia ser selado de outra forma a não ser com diversos matrimônios; uns felizes, outros não. Apesar de tudo, “Razão e Sensibilidade” é um grande romance, e pode nos render boas emoções e lições sobre amor e interesse, dos quais Austen é uma excelente professora, podem apostar.

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